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Correção Fraterna: conversar ou postar?


Santos Anjos | 25 October, 2017

Queridos irmãos e irmãs, inauguro minha participação no prestigiado Niterói Católico. Aproveito a ocasião para agradecer o espaço a mim oferecido, bem como todas as inúmeras manifestações de acolhida e afeto que tenho recebido, desde o momento de minha nomeação como Bispo Auxiliar de Niterói. Obrigado por tudo e por tanto!
No segundo domingo de setembro, mês da Bíblia e do acolhimento da primavera, estação da vida e das flores, Jesus nos ensinou que é preciso saber corrigir e perdoar (cf. Mt 18, 15-20). Sabemos que a paz é fruto da justiça, mas também do perdão. Quem sabe perdoar e corrigir, fraternalmente, certamente terá paz interior. Caso contrário, dificilmente as feridas se transformarão em cicatrizes. As feridas recordam “marcas do que se foi”. Já as cicatrizes fazem mal, tanto para o corpo, quanto para o emocional e espiritual. Um dos segredos do bem viver é a capacidade de transformar feridas em cicatrizes. Quem assim age sabe muito bem que “perdoar é mais barato”, como sinaliza o título de um livro, com a seguinte sinopse: “Um dos melhores e mais rápidos caminhos para acabar com a dor é o perdão. Perdoar é escolher a felicidade. Não perdoar é optar pelo sofrimento”.
O tema da correção fraterna, indicado pelo Mestre do Perdão, é extremamente atual e relevante. Parece que não sabemos mais como e quando corrigir. Temos medo de corrigir um filho, a esposa, o marido, o colega de trabalho, um amigo, um parente, uma autoridade, etc. Talvez o medo resida na preocupação de como o outro acolherá minha correção. A pessoa imatura, quando corrigida, sempre leva para o lado pessoal, perdendo a objetividade. Por outro lado, aquele que corrige, às vezes não sabe se tem o direito ou o dever de fazê-lo. Há pessoas que corrigem sem caridade, misericórdia e de modo agressivo e destemperado, ou mesmo na hora errada. Outros não aceitam correção, nem mesmo de uma autoridade competente. Quem não aceita ser corrigido, provavelmente não saberá perdoar ou pedir perdão. Quem corrige também deve aceitar ser corrigido.
Em tempos de redes sociais, muitas pessoas preferem postar ou compartilhar mágoa, ou má interpretação de um fato, a conversar, pessoalmente, com a pessoa envolvida. Isso gera tensão, incompreensão, prejulgamentos, fofocas, etc. Jesus nos ensina a procurar primeiramente a pessoa envolvida, para esclarecer, perdoar ou receber o perdão. Caso a pessoa se recuse e se feche à correção, depois dos passos indicados por Cristo, fiquemos tranquilos e sem culpa, pois foi feito o que deveria ser feito. Que a própria pessoa, agora, responda pelo seu fechamento. Contudo, devemos continuar rezando por ela e jamais desistir ou desejar o mal. Nunca devemos postar mágoa pessoal de modo generalizado, abrindo espaço para fofoca, calúnia ou difamação. Vamos cultivar o hábito do perdão e do diálogo, que chamamos de correção fraterna.  Somos maduros o suficiente para conversar, ainda que seja muito mais fácil postar?


+ Dom Luiz Antonio Lopes Ricci
Bispo Auxiliar

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