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Ressuscitou, Aleluia! É Páscoa!


Santos Anjos | 26 March, 2016

A Páscoa dos Hebreus é a celebração memorial da libertação do povo escravizado pelos egípcios durante 400 anos, especialmente a passagem pelo mar vermelho, separando os dois momentos da história do povo. Deus escuta o clamor de seu povo e deste momento pra frente, assume a dianteira, conduzindo, formando, protegendo o povo. Todos os anos, ainda hoje, os judeus, ao celebrarem a Páscoa, fazem a memória deste acontecimento que dá origem ao povo.

Por ocasião da Páscoa, acontece a Paixão, morte e ressurreição de Jesus, acontecimento que funda o novo povo de Deus. No ano seguinte, os seguidores de Jesus celebram não mais a memória da passagem do Mar Vermelho, mas a memória do sacrifício pascal da Paixão e Ressurreição de Jesus, não como fato ocorrido no passado e que permanece no passado, mas ao fazer a memória, atualiza oque foi celebrado na última ceia e o que foi vivenciado por Ele. Sendo assim, a Igreja atualiza o mistério e se renova com ele todos os anos. Ao fazer isso “em memória de mim”, dito por Jesus na última ceia norteia até hoje este celebrar fazendo memória. No culto cristão, como ‘memorial’ se prolonga o acontecimento salvífico de toda a história bíblica, que culmina em Jesus, morto e ressuscitado.

A Páscoa não é só uma festa comemorativa, mas uma dimensão da vida cristã, inaugurada no batismo. Mediante o batismo, o cristão fica unido ao destino salvífico de Cristo, como parte do povo novo que caminha para a Páscoa definitiva. Segundo Paulo, o batismo é imersão na morte e ressurreição de Jesus, o qual supõe uma passagem real para a vida, da lógica e mentalidade de morte , para um etilo e e opção de vida que se realizam na justiça e na caridade fraterna (Rm 6, 4-11; cf. Ol 2, 12-3, 4).

No centro da história humana, está agora o cordeiro imolado e vivo, o Cristo morto e ressuscitado, que dá sentido aos acontecimentos humanos e garante a vitória de Deus sobre o mal histórico da idolatria e da justiça.

Sendo assim, a Páscoa não é só uma recordação arcaica, mas o dinamismo de salvação e libertação que está dentro da história humana desde o dia em que Deus mergulhou em nossa história de modo irreversível com a encarnação, morte e ressurreição de Jesus. Assim sendo, como Igreja, todos nós que celebramos a Páscoa todos os anos, temos o compromisso com Deus, de dar visibilidade a este dinamismo escondido em nossa história. Todos os anos, nós celebramos a Páscoa. O que tem mudado em nossas vidas? Em nossas comunidades? Em nossa Igreja? Em nossa sociedade? Celebrar a Páscoa é algo comprometedor, pois nós aceitamos misturar o nosso destino com o de Cristo. A certeza de que Ele está no meio de nós, pois assim Ele prometeu e nós o experimentamos diariamente, deve nos impulsionar para o agir transformador. Se não for assim, celebraremos apenas uma recordação e não uma memória do acontecimento que nos salvou. Jesus nos amou e se entregou por nós. Se pelo batismo o nosso destino está intrinsecamente ligado ao de Jesus, somos convidados a amar uns aos outros como Cristo nos amou. Trata-se do mistério de fé, como dizemos na Missa após a consagração e como Igreja respondemos: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, recordamos a Paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua vinda”. Vinde, Senhor Jesus! Que o Senhor Ressuscitado, ressuscite o nosso país, para que saia da situação de morte em que se encontra e que pelo poder da Páscoa, as pessoas saiam de suas cruzes e de seus túmulos, experimentado a vida nova. FELIZ PÁSCOA!!!

Pe. Roberio Camilo da Silva
Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
Areia Preta, Natal/RN

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