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Sim, você tem uma vocação!


Santos Anjos | 25 March, 2017

A palavra vocação muitas vezes é entendida como qualidades para a realização de um trabalho, relacionando-a diretamente com a escolha profissional da pessoa. No entanto, para os cristãos, essa palavra assume um sentido maior, pois se refere ao chamado de Deus para nós, incluindo toda a vida do homem, inclusive a profissional.

Assim devemos nos perguntar a que Deus nos chama? A resposta a esse questionamento está clara para nós em Jo 10, 10, quando Jesus afirma: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em plenitude”. Somos, portanto, chamados a uma vida plena, repleta de felicidade. O homem é dotado de alma “espiritual e imortal”, a pessoa humana é “a única criatura na terra que Deus quis por si mesma” (Cat. §356), desde sua concepção é destinada à bem-aventurança eterna.

Talvez um dos maiores desafios do homem atual seja compreender o sentido da felicidade dada por Deus como vocação, a verdadeira felicidade. Mergulhado nos conflitos da sociedade contemporânea, o homem confunde felicidade com o direito de fazer o que quiser, qualquer coisa, viver sem limites, daí que felicidade passa a ser sinônimo de egoísmo, hedonismo, libertinagem. Sem uma perspectiva mais ampla que inclua o homem em sua poção transcendental, perde a noção de humanidade e de eternidade, ficando confinado à satisfação de suas necessidades imediatas, aquelas que lhe trazem prazer, mesmo que momentâneo, afastando-se do seu destino: a bem-aventurança eterna.

A verdadeira felicidade, no entanto, está enraizada na dignidade do homem que se baseia em sua criação à imagem e semelhança de Deus. Essa criação o faz participante da luz e força do Espírito divino, uma vez que é possuidor de uma alma espiritual e imortal; de inteligência (razão), que permite a compreensão da ordem das coisas estabelecidas pelo Criador; de vontade, que é a capacidade de ir ao encontro de seu verdadeiro bem; e de liberdade, que é o domínio de si. Dotada de alma espiritual, inteligência e vontade, a pessoa humana, desde sua concepção, é ordenada para Deus e destinada à bem-aventurança eterna e a busca a perfeição na “procura e no amor da verdade e do bem” (Cat. §1711).

A ordenação do homem para Deus se concretiza na sua consciência, onde já está presente o sentido de Deus, o verdadeiro e único sentido do bem, o amor à criação, a todas as criaturas e, principalmente, ao próximo. Por essa razão, o homem conhece a voz de Deus, que o insta a “fazer o bem e a evitar o mal” (Cat. §1706). O homem não é destinado “ao simples bem-estar gozoso na terra, mas ao Reino dos Céus…” (Cat. §1716), daí o desejo natural de felicidade que Deus colocou no seu coração, para atraí-lo, pois só Ele é capaz de satisfazê-lo, pois a felicidade do homem está em Deus, exigindo um coração reto, voltado para os ensinamentos divinos.

Os parâmetros para a verdadeira felicidade estão nas bem-aventuranças que mostram a imagem de Cristo e Sua caridade, a vocação dos fiéis e os atos e ações dos Seus seguidores, colocam os homens diante de “escolhas decisivas com relação aos bens terrenos; purificam nossos corações para que aprendamos a amar a Deus sobre todas as coisas” (Cat. §1728). Essas escolhas só são possíveis porque o homem é livre, dotado de razão, iniciativa e domínio de seus atos (Cat. §1730).

A liberdade, para nós cristãos, é, portanto, agir segundo a vontade de Deus, “Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça” (Cat. §1733). Desta forma, o homem é chamado a assumir sua vocação à liberdade, fazendo-se “sinal eminente da imagem de Deus” (Cat. §1705), e encontrar sua verdadeira vocação: a felicidade, que está na vida plena no Espírito.

Valeria Tavares
Membro Compromissado da Comunidade Recado.

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